Feliz 2011, com Walt Whitman e Martha Medeiros

Talvez  seja arbitrária essa definição de uma data universal para encerrar e começar ciclos (afinal, estes deveriam ter sua cronologia pessoal), mas a vantagem é que, com esta imposição do calendário, temos a chance de celebrar a idéia do novo simultaneamente uns com os outros. Mesmo sabendo que não se despreza o velho apenas porque é velho, o novo é necessário, é fundamental para uma vida mais plena… e acredito que para uma vida mais feliz.

     Por isso, a todos os que estiveram aqui neste espaço e que me estimulam a continuar escrevendo, a não me acomodar no que poderia ser minha rotina eterna entre quatro paredes de um consultório, saibam que me tornam mais feliz e mais realizado, e por isso agradeço… espero continuar aqui em 2011, agradando ou decepcionando, mas tirando o pó da alma neste blog.

    Há, entre tanta coisa que se fala nesta época, uma mensagem que me é bem cara, e que ofereço como meu presente de ano novo, em duas partes, porque uma completa a outra: um trecho de um poema do exuberante poeta americano Walt Whitman (“Uma Hora para a Loucura e uma Hora para a Alegria“, traduzido por Renato Suttana), e um trecho da crônica “A Morte Devagar“, da Martha Medeiros (que me foi gentilmente enviado pela própria por e-mail, por ocasião de um post anterior aqui no blog, https://polifonias.wordpress.com/2010/11/24/serendipity-escrito-nas-estrelas-e-em-martha-medeiros/– esta simplicidade e dedicação é que me fazem considerar Martha uma pessoa fora de série).

Então, primeiro Whitman:

Oh, qualquer coisa ainda não experimentada!
Qualquer coisa em transe!Escapar totalmente aos grilhões e âncoras dos outros!
Libertar-me! Amar livremente! Arremeter perigosa e imprudentemente!
Cortejar a destruição com zombarias e convites!
Ascender, galgar os céus do amor que foi indicado para mim!
Subir até lá com minha alma inebriada!
Perder-me, se preciso for!
Alimentar o resto da vida com uma hora de completude e liberdade!
Com uma hora breve de loucura e alegria.

 

E Martha Medeiros:

“Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições. Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
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 Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
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Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
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Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.”

 

Feliz 2011 com muita VIDA para todos nós!

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5 respostas para Feliz 2011, com Walt Whitman e Martha Medeiros

  1. Gabrieli disse:

    Olá!!
    Há algum tempo descobri seu blog e sempre que posso visito. Parabéns pelo trabalho, gosto muito dos seus textos! Ah e só pra deixar registrado meu texto preferido é o “O dente do cisne em cruz”, sou estudante de Odontologia, me diverti muito lendo este texto. Feliz ano novo, tudo de bom e mta inspiração para continuar escrevendo!!

  2. arleiro disse:

    Gabrieli;
    obrigado pelo estímulo! Como você já deve perceber, a Odontologia aqui no Brasil vive uma fase muito auto-centrada, principalmente por conta de uma certa crise de identidade e de queda no status da profissão… se não tomarmos cuidado, acabamos contaminados por esta claustrofobia profissional. Neste blog eu, que sempre amei literatura e música, tento escapar dessa armadilha de ser considerado como “Arlei, um dentista” – a gente sempre é muito mais que apenas nossa profissão. Até por isso não tenho escrito quase nada sobre nossa área, mas te prometo que vou achar uma inspiração adequada… 🙂
    E volte sempre, não precisa bater na porta! Abração e um ótimo 2011 para ti!

  3. livrosdavivi disse:

    Adoro a Martha Medeiros, simplesmente é a mulher mais incrível da atualidade. Moderna, com personalidade, sensível e muito feminina! Um exemplo. E os textos são sempre incríveis, esse que você citou é exemplo disso.
    Adorei.

  4. NÁDIA CRUZ disse:

    Arlei,
    Antes de mais nada, um ano de emoções, pois o tempo só conta ser for vivido com emoções, pois o resto é calendário…
    Gosto muito de tudo que vc escreve, já disse isso. Tornou-se um bom vício ler seu blog.
    Escreva sempre, pois vc o faz com sensibilidade, honestidade, clareza, lucidez, beleza…
    Escreva, pois isso faz bem à alma, à nossa alma…
    Feliz TUDO!!
    Nádia

  5. herivelto canales disse:

    Morre lentamente quem não contesta;
    Morre lentamente o conivente;
    Morre lentamente o passivo.
    Ou já estão mortos?

    Tentei te imitar, mas…
    não dá.

    Parabéns!
    Veio de encontro comigo e quem dera todos pudessem enxergar.

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