O dente do cisne em cruz

Para alguns, rir de tropeços verbais alheios é manifestação de arrogância. Ora, acredito que sim – dependendo do contexto. Mas todas as profissões tem seus jargões, que comumente são incompreensíveis para os demais (com exceção de algumas expressões que caem no linguajar cotidiano, como “lastro cambial”, “lobotomia”, “habeas corpus”, etc.). E quando o indivíduo comum tenta se aventurar nestes dialetos técnicos (às vezes por necessidade), costuma criar neologismos ou transliterações que são, independente de arrogância ou não do ouvinte, hilárias. 
 
Por isso, peço perdão se parece uma afronta à humildade ou à boa-fé dos envolvidos, mas vou postar aqui algumas preciosidades ouvidas por mim e por colegas de profissão durante todos estes anos:

 

A pessoa disse… “dente do cisne em cruz” – e queria dizer “dente do siso incluso”. A pessoa disse… “tenho dentes sobrenaturais”- e queria dizer “tenho dentes supranumerários”

A pessoa disse… “quero distrair meu dente” – e queria dizer “quero extrair meu dente”

A pessoa disse… “eu tenho estrabismo dentário” – e queria dizer “tenho bruxismo dentário”. A pessoa disse… “preciso consertar minha próstata” – e queria dizer “preciso consertar minha prótese”.

A pessoa disse… “fiz uma radiografia interplanetária” – e queria dizer “fiz uma radiografia panorâmica”. A pessoa disse… “quero falar com o protéico” – e queria dizer “quero falar com o protético”

A pessoa disse… “ eu tinha porréia”… e queria dizer “eu tinha piorréia” A pessoa disse… “o dentista usou um aparelho de tração” – e queria dizer “o dentista usou um aparelho de ultra-som”.

A pessoa disse… “eu uso escova pantufa”- e queria dizer “eu uso escova bitufo”. A pessoa disse… “eu fiz uma surugia na gengiva” – e queria dizer “eu fiz uma cirurgia na gengiva”.

A pessoa disse… “fiz bocejo com flúor”- e queria dizer “fiz bochecho com flúor”. A pessoa disse… “eu tenho uma tora na boca” – e queria dizer “eu tenho torus na boca”.

Além destas cacofonias, qualquer um que exerça a profissão por alguns anos percebe que existe todo um dialeto odontológico popular, de alcance aparentemente universal, qual seja:

Amálgama de prata = chumbinho/  CIV ou IRM = massinha  /  Caninos = presas  /  ATM = carrinho da boca   /   Dentadura total = chapa  /  Prótese provisória = perereca /  Brackets = ferrinhos /  Limas endodônticas = agulhinhas  /  Curetas de periodontia = ganchinhos  /  Molares= dentes queixais / Resina fotopolimerizável = obturação a laser  / Profilaxia = limpezinha.

 Mas para finalizar, nem tudo está perdido – o mundo não é tão insensível com os cirurgiões-dentistas. Vejam uma citação maravilhosa que circula na web:

“Se o sofrimento enobrece, então os homens mais nobres do mundo estão na sala de espera do dentista”.

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Uma resposta para O dente do cisne em cruz

  1. Ana Cláudia disse:

    Arlei. Quase morri rindo!!! Parabéns, teu blog é maravilhoso, tu és um verdadeiro artista. Um abraço.

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