A Mulher Mais Bem Cantada do Mundo

Santa Maria não é uma unanimidade em quase nada; o rótulo de “cidade cultura” provoca mais caretas de questionamento que sorrisos de aprovação. O clima não consegue agradar nem os que amam bafo de freezer e nem os que adoram lagartear a 40 graus, há sempre alguém reclamando da gastronomia ou do trânsito local. Mas talvez haja um consenso: Santa Maria é um imenso show-room de mulher bonita. Elas desfilam no calçadão, no fim de tarde da Medianeira, nos portais dos centros universitários . Os “estrangeiros” que aqui chegam (se apreciam o gênero) costumam ser obrigados a segurar os queixos. A variação étnica e social permite satisfazer a qualquer tipo de preferência, mesmo que seja apenas para deleitar os olhos.

 

E em qualquer point noturno pode-se observar quão variados são os métodos utilizados para ganhar-lhes a atenção; métodos estes que vão do curto e grosso ao refinado e profissional. Mas mesmo as mais privilegiadas, alvo das “homenagens” mais criativas e fascinantes, ficariam eclipsadas por Patricia Boyd, a garota da foto aí acima.

Pattie Boyd não é uma mulher qualquer; é simplesmente a destinatária de algumas das mais belas canções de amor do mundo. Nascida em Taunton, Inglaterra, tentou desde cedo a carreira de modelo fotográfico. Embora não tenha tido muito sucesso, ao menos fisgou um papel de figurante no primeiro filme estrelado pelos Beatles, em 1963 (A Hard Day’s Night). Graças a esta ponta, conheceu e cativou um dos homens mais desejados da época, o beatle George Harrison. Pattie casou-se com ele em 1966, e se o casamento dos sonhos não garantiu um “felizes para sempre”, lhe rendeu a imortalidade na canção “Something” de George Harrison – talvez a mais romântica das canções dos Beatles, e presença constante na lista de melhores músicas de todos os tempos.

Na época, Pattie ainda foi alvo de paqueras de John Lennon (sem muita ênfase) e de Mick Jagger (este sim ficou doido por ela – anos mais tarde declarou que Pattie Boyd tinha sido um dos grandes fracassos em sua carreira de conquistador), e… Eric Clapton.

Clapton era amigo-irmão de Harrison (chegou a ser cogitado para fazer parte dos Beatles), e só o próprio poderia contar quão doído foi desejar a esposa do parceirão. Ou melhor, de certa forma ele contou… Enquanto Pattie ainda era a senhora Harrison, Eric compôs e gravou a música “Layla“, escrita especialmente para ela. Considero Layla um primor musical, por agrupar na mesma canção elementos blues/jazz com ecos do rock britânico da época, duas linhas tonais completamente distintas e um sentimentalismo sincero.

Depois de Layla e outras turbulências, Pattie divorciou-se de Harrison, engatou o namoro e o casamento com Clapton, e serviu de musa para outra fantástica canção… “Wonderful Tonight“, uma pérola de sutileza romântica do grande Clapton. Segundo o próprio, ele a compôs (Você está maravilhosa esta noite… Penteando seu longo cabelo loiro…) olhando Pattie arrumar-se para assistir um show de Paul e Linda McCartney.

Pode-se supor que outras grandes canções de George Harrison e Eric Clapton tenham sido feitas para Pattie (ou de Lennon, ou de Jagger, ou sei lá mais de quem…), mas se apenas estas três forem consideradas, não há dúvidas que Pattie Boyd foi a mulher mais bem cantada do mundo.

Mas tal honra, ao que parece, tem seu preço… Ao final das contas, ambos os casamentos acabaram em divórcio, e Pattie foi incapaz de ter filhos – segundo a própria, a maior frustração de sua vida fascinante. Vá que Pattie fosse uma musa grega verdadeira, encarnada por engano no século XX… Afrodite há de ter lançado uma praga pessoal contra a perpetradora de tal afronta.

Provavelmente poucas ninfas do calçadão da Bozano de hoje em dia ainda conhecem “Something“. Mas muitas delas seguramente adorariam inspirar um refrão do Restart ou do Luan Santana…

Luan Santana e Restart… Hmmm… pensando bem, acho que o feito de Pattie Boyd é insuperável.

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2 respostas para A Mulher Mais Bem Cantada do Mundo

  1. Viviane disse:

    Perfeito! Vivendo e aprendendo! Sempre amei “something”. E não desconfiava de todo este poder da garota do clipe. Caramba, que moral hein? Adorei!

  2. ilberto disse:

    Pois é Arlei, a Pattie teve sorte e casualidade na aproximação com os monstros sagrados do POP. Eu diria que ela esteva no lugar certo e na hora certa. Agora vamos imaginar se ela com estivesse atualmente com a idade ao redor dos vinte e o Luan Santana fosse seu namorado. Azar o dela, pois ele cantaria: “de chocolate nosso amor é feito, então não tem jeito gruda em mim. Isso não é só confete me ama enloquece, meu vício sem fim…” Pobrezinha dela. E de nós em ter de dormir com esse barulho.
    Buenas, logo que me falaste dela procurei teu texto e confesso que é um dos melhores. Pegaste o detalhe da coisa. Parabéns, índio véio. Bem se a Patie convivesse aqui no sul, eu cantaria pra ela: “churrasco bom chimarrão, fandango trago e muié, é disso que o ilberto gosta é disso que ele quer.” Abraços.

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