Posso, apenas, dar boas razões para que gostem de mim e ter a paciência para que o tempo faça o resto. Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio, mas que posso tomar o rumo da minha própria vida em minhas próprias mãos (Meu Deus, nem delirando de febre William Shakespeare escreveria auto-ajuda no século XVII!! Diploma na parede!!!?????)
Os nomes de Chaplin, Luís Fernando Veríssimo, Neruda, e até de Einstein costumam ser furtados para assinar tais textos! Já ouvi chamarem estas aberrações de texto-Frankenstein. Por que diabos isso ocorre? Provavelmente para dar um pouco de “imponência” a bobagens e clichês de fundo de quintal. Algo como os belos prédios do nosso incompetente Congresso Nacional.
Mas o fator mais importante para manter essas fraudes circulando pela web é a pouca cultura literária da maioria das pessoas. Duvido que 90% das pessoas que conheço tenha lido uma única linha de Shakespeare, embora tenham “alguma noção”, ”de algum lugar” que foi um “algum escritor importante“.
E basta colocar uma destas frases no google para que apareçam milhões de sites “confirmando” as citações com seus “autores”. Mas na verdade são apenas disseminadores de informações falsas, pois limitam-se a postar e repostar a bobagem que um outro fez, sem nem conferir a veracidade.
Para quem não conhece ter uma noção do estilo, vou colar aqui um texto realmente escrito por Shakespeare: Um trecho do monólogo de Romeu ao ver Julieta (ato I, cena 5 – vou colar o original em inglês e a tradução em português feita pela Beatriz Viégas Faria).
O, she doth teach the torches to burn bright!
It seems she hangs upon the cheek of night
Like a rich jewel in an Ethiope’s ear;
Beauty too rich for use, for earth too dear!
So shows a snowy dove trooping with crows,
As yonder lady o’er her fellows shows.
Ah, ela ensina as tochas a brilhar! / Parece estar suspensa da face noite / Como jóia rara na orelha de uma etíope / Beleza incalculável, por demais preciosa para uso terreno! / Assim como se apresenta a alva pomba em meio a gralhas/Apresenta-se aquela dama em meio a suas amigas.
Pois é… há algo de podre no reino da internet.
OBS: não foi Neruda quem escreveu “Morre lentamente” – o texto é de Martha Medeiros… mas neste caso, ao contrário dos anteriores, talvez o texto esteja à altura do seu falso signatário!

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Ainda me falta muito pra chegar no seu conhecimento sobre literatura, mas estou caminhando, e chego lá!!! Como sempre (e repetitiva) parabéns pelo texto! Bem esclarecedor!!!
Pô Arlei, assim eu fico nervosa, rs, maior responsa mesmo, rs
Mas a maioria dos livros que li/comprei ultimamente foi através de boas resenhas que li em blogs. Assim espero que eu tenha feito uma resenha fiel ao livro, rs, e que vc não se decepcione com a leitura (fazendo figas) hehehe
Bjos e Boas festas
Sempre que me mandam correntes com essas falsas citações eu respondo explicando que aquela é uma citação falsa, que aquele texto não pertence àquele autor e etc.. resultado: fiquei com fama de grossa, rabujenta e metida a sabe-tudo!
Fora o dia em que a pessoinha meu deu como tréplica: “-Mas isso não faz a menor diferença!!” Aí, realmente, não dá pra prosseguir o debate.
Parabéns pelo blog! Textos muuuuiiiito bons! Leves e com conteúdo!
Aline;
essa tréplica que você citou é realmente fim de conversa… o fato é que a internet (que ainda assim é uma maravilha na difusão da cultura) ajuda a divulgar este tipo de valorização superficial das coisas. Não importar quem é o autor… bom, então vamos assinar Adolf Hitler ou Seu Madruga embaixo de tudo.
Desculpe o atraso na resposta, obrigado pelo elogio e seja bem vinda sempre. Abração!
Pois é…
Recebi esta citação como sendo de WS e resolvi conferir. Encontrei diversos sites reproduzindo, encontrei a frase até em letra de música no cifra club, e diversos blogs e sites apontando que não é de Shakespeare, mas o principal de tudo, não encontrei o autor verdadeiro, que pra bem ou pro mal, deveria receber o crédito.
Pode ser frase anônima, mas o pior é que esta prática de atribuição errônea de autor acaba por transformar todos os textos em anônimos, por dificultar a real atribuição de autoria. Triste isso.
Gente, e o coitado do Arnaldo Jabor, cujo nome é usado para assinar qualquer porcaria. Shakespeare e Einstein pelo menos estão mortos e não têm de ver as atrocidades que escrevem em seu nome. Mas deve ser ainda pior quando a pessoa está viva e é obrigada a aguentar tantos textos horrendos sendo atribuídos a ela.